Ontem fez 35 anos que a grande Elis Regina viajou para outro plano, mesmo com 3 décadas sem novo repertório, sem lançamento de álbuns e shows, ela escreveu a lenda pessoal dela, uma grande contribuição na MPB de qualidade e que nível de qualidade! Isto sim, é ser celebridade, ter feito história, tornar-se inesquecível mesmo “ausente”, virar mito e ser eternizado.
Assisti ao filme em novembro, já havia postado sobre o filme, da linda interpretação da Andreia Horta, ela fez o trabalho com muita dignidade, uma grande atriz respeita o/a personagem. Bom, o post hoje é sobre o figurino do filme, mas também sobre o estilo de Elis, eu era criança e ela me agradava muito, algumas apresentações em televisão me chamavam atenção, não vivi a fase dela de cabelos curtíssimos, mas lembro dos cabelos até os ombros, volumosos, naturalmente com frizz, na época, as mulheres eram mais pés no chão, por isso, que existia o encanto, mas o que me impressionava era que ela cantava e desnudava, mostrava exatamente quem era ela sem temor algum, sem papas na língua, ela chorava, ela ria, era emoção à flor da pele
O figurino do filme foi assinado por Cristina Camargo, foram 63 trocas de roupas. No começo da carreira, como toda boa moça dos anos 60, ela usava cabelo com laquê, estilo bolo de noiva



Elis começou a carreira de cantora aos 11 anos de idade, cantando Vida de Bailarina na Rádio Farroupilha, que tinha um programa de auditório infantil, Clube do Guri, daí não parou mais, começou a cantar permanentemente na rádio de 3 em 3 domingos e aos 15 anos assinou o primeiro contrato profissional de cantora da rádio e também secretária da própria rádio, além de gravar o primeiro disco “Viva a Brotolândia“.
Elis Regina chega ao Rio de janeiro em março de 1964, poucos dias antes do Golpe Militar, com apenas 2 meses de Rio de Janeiro, Elis assinou contrato com uma emissora de TV, a TV Rio, para participar do programa Noites de Gala, um amigo a leva para o Beco das Garrafas, onde conhece Miele e Ronaldo Bôscoli e onde passa a fazer shows, dá uma bela brigada com Bôscoli e se manda para Sampa de vez.
No mesmo ano começa a apresentar o programa O Fino da Bossa, na TV Record, em São Paulo, ao lado de Jair Rodrigues, com apenas 20 anos, começou a receber o maior salário a uma artista brasileira, no primeiro mês, ela comprou um apartamento no centro de São Paulo, na avenida Rio Branco, no edifício Agulhas Negras. O programa foi ao ar até 1967, em um intervalo de tempo, no ano de 1965, ganhou o troféu Berimbau de Ouro como melhor intérprete, cantou Arrastão, de Edu Lobo e Vinicius de Moraes, no Festival de Música Popular Brasileira na TV Excelsior, em São Paulo.
Elis cantava tanto para fora que balançava os braços como em um nado, na época, comparavam os braços à hélices. Com a queda de audiência do programa O Fino da Bossa, Miele e Bôscoli foram contratados para fazer a abertura do programa, Elis quase teve um treco, porque ela e o Bôscoli se odiavam. Mas, ela terminou fazendo o programa e cantou Imagem, uma música de Luis Eça e Ronaldo Bôscoli.
Bom, o ódio entre os dois terminou em casamento, no cível em 5 de dezembro de 1967 e no religioso, 7 de dezembro do mesmo ano. A recepção foi na mansão que ela comprou na avenida Niemeyer, Rio de Janeiro. Chovia muito na noite e 120 pessoas participaram da festa
O vestido de noiva foi criação de Dener, que também foi seu padrinho de casamento




O estilo de Elis mudou por influência de Bôscoli, ele sugeriu o corte de cabelos curtinhos , interferiu na elegância, na postura, no figurino. Elis tinha 1 m 53, nem por isso, deixou de ser estilosa, elegante, gosto muito das roupas que ela usava, ela nas entrevistas mexia nos colares, ela usava bastante bijouterias
Com Pierre Barouh em Paris, cantou em 1968, a deliciosa canção de Chico Buarque “A Noite dos Mascarados“, que na versão francesa ficou “La Nuit des Masques”

Ela mudou o corte dos cabelos em 1969







Em 1969 canta com Pelé, “Perdão, não tem” e lança o compacto Tabelinha


O primeiro filho, João Marcello Bôscoli, nasce em 1970 e as brigas entre o casal nunca pararam, a separação foi em 1972.
Os anos 70 chegando, Elis adota um guarda-roupa mais estampado, mais colorido, com batas, vestidos, túnicas. Por morar numa cidade solar como o Rio de Janeiro, Elis se vestia como as cariocas, como as mulheres que moram em litoral
Final dos anos 60 e começo dos 70, Elis-Fase Rio de Janeiro











Em 1972, Elis se separa de Ronaldo Bôscoli e no ano seguinte, se casa com o pianista César Camargo Mariano. Em 1975, nasce o primeiro filho do casal, Pedro Camargo Mariano.



O espetáculo “Falso Brilhante” entrou em cartaz no final de dezembro de 1975 e foi até o início de 1977



Em 1977, grávida de Maria Rita, Elis vai morar numa casa rodeada de verde na Serra da Cantareira, em São Paulo.
Foto de 1978, parece ser uma cena de almoço, o Pedro Camargo Mariano terminando de tomar, deve ser refrigerante e a bebê Maria Rita segurando a metade de uma laranja, acho esta foto uma graça! A Elis, super mãezinha na foto e só reforça o que o filho João Marcello fala sobre a mãe, ela fazia shows até tarde, mas acordava no outro cedo no outro dia, colocava um avental, ia lavar roupa e junto com a secretária passava roupas, cozinhava tão bem quanto cantava, além de dirigir perfeitamente bem, levava a gente para a escola. Fico pensando, às vezes, existem tantas pessoas que não são nada e são tão metidas, tipo de gente que acha que lavar uma louça é desmerecimento, é feio. Elis foi uma diva e, no entanto, humilde, por isso, penso, a grandiosidade está na simplicidade

Vestido de jersey em poá rosa chá, modelo super na moda no final dos anos 70, foto de 1979, Elis estava no auge da carreira, mais cheia de flores e cores, inclusive na maquiagem

No filme, na fase final dos anos 70, aparece um vestido no mesmo estilo

Elis no festival de jazz de Montreux, na Suíça, em julho de 1979

Toda mulher é meio bailarina, adoro malhas de ballet, na época se usava collant de lycra, hoje é o chamado body
Show “Saudades do Brasil“, de 1980

De moletom em 1980, curtindo o frio na Serra da cantareira e na outra foto, com marido e filhos



Em 1981, Elis se separa de César Camargo Mariano, se muda da casa e vai morar com os filhos no bairro do Jardim Paulista, um bairro nobre na zona oeste de São Paulo, foi o último endereço de Elis, um apartamento na rua Melo Alves, n° 668.
Show de Rita Lee, no Maracanãzinho, Rio de Janeiro, em 1981


O último show: Trem Azul, em 1981


A última entrevista em 05 de janeiro de 1982, no programa Jogo da Verdade, na TV Cultura

Elis usava joias super delicadas, Elis tinha uma joia inseparável, eram 3 argolas de uma aliança Cartier, em cada uma delas tem o nome dos filhos: Maria Rita, João Marcello e Pedro, hoje, a joia é de Maria Rita

Bom, gente não consegui fazer um post pequeno, falar de Elis, não tem como sintetizar muito, tentei, mas ficou um mega post, espero que tenham gostado, eu prefiro lembrar da Elis cantando ou com este sorriso, que é ela, deixo vocês com ele, beijos!








