Às 5h da manhã, há exatamente 53 anos, aterrizava no galeão um avião da Panair com Brigitte Bardot, a vinda ao Brasil foi um convite do seu namorado, o brasileiro-marroquino Bob Zagury, eles se conheceram no Festival de Cinema de Cannes em 1963.
Galeão


Olha a tendência Chanel, como ela viajou para um lugar com muitas praias, por dentro da capa de frio e gola pele, tinha um vestido com estampa navy

Ela ficou hospedada no apartamento do namorado, em Copacabana, no edifício Golden State, hoje Chamado Tancredo Neves, na avenida Atlântica, mas não teve sossego, era tanto o assédio da imprensa e da população, que ela quis voltar na mesma hora. Para poder ter um pouquinho de tranquilidade, ela fez um trato com a imprensa, uma coletiva no Copacabana Palace, que aconteceu no dia 10 de janeiro

Ao lado do namorado, que mulher charmosa!


Em colorido

Rumo a Búzios
O casal vai ao Iate Clube para fazer um passeio no iate Singoala, vão até Itacuruçá, em Mangaratiba, pegam um furgão e vão para um paraíso chamado Búzios.

Em 13 de janeiro chegam a Búzios, na época, era um vilarejo de pescadores, poucas casas, sem eletricidade, sem água encanada, sem telefone e o melhor, como a população local não tinha acesso à mídia e nem rádio, claro que não podiam imaginar que aquela gringa era um ícone do cinema. Sem precisar dar autógrafos, Brigitte sentiu-se ela mesma, por isso vivia feliz. Ela descreveu seus dias assim:
“Na época era apenas uma aldeia de pescadores sem água encanada ou eletricidade. Vivíamos como Robinson Crusoé em praias selvagens e desertas. As ruelas (eram areais) cheias de leitões pretos e galinhas. Nós vivíamos de pesca, farofa, mangas e muito sol”.
BB (sigla de Brigitte Bardot) viveu em Búzios até o dia 28 de abril, do jeito que ela queria, sem assédio, sem maquiagem, os cabelos começaram a ficar com raízes escuras sem tingir, o fotógrafo Denis Albanèse passou um dia fazendo fotos dela em Búzios.
Com o namorado








Passeava pelo vilarejo de fusquinha

O biquíni era ultra moderno para a época
De sunkini e meia-taça


Eles ficaram hospedados na Praia de Manguinhos, na casa de um amigo, Andrew Mouravieff




Em preto e branco

Em colorido


A convivência com a população era tranquila, ela gostava de tomar leite de cabra, acordava super cedo para ver a saída dos pescadores para o mar, inclusive ajudava. Brincava com os animais e crianças, corria atrás dos porquinhos. Caminhava muito, da praia do Canto a dos Ossos, ela andava a praia toda. Cozinhava todos os dias, a comida era tipicamente mediterrânea













Chanel criou a moda navy para as mulheres, a qual achava ideal para passar férias no litoral, o estilo marinière


Brigitte aderiu à moda
Ela usou com calça jeans Mom e sapatilhas

Como não tinha água encanada, as mulheres armazenavam a água doce de poço em tinas




Ela passou mais de 3 meses em Búzios, depois retornou em 18 de dezembro, passou natal e ano novo na Pousada do Sol do cônsul da Argentina, Ramon Avellaneda, na Praia do Canto em Armação, ao lado do Pier da Rua das Pedras, que era um areal. Ela não encontrou o paraíso que deixou em abril, por causa da estadia dela, Búzios começou a ser muito frequentada e, consequentemente, infra-estrutura, mais visitantes, construções, não era o que Brigitte queria, a decepção foi grande, ela deixou Búzios em 8 de janeiro, rumo ao México ao lado do namorado, para gravar o filme Viva Maria! e nunca mais voltou


Como agradecimento, BB recebeu uma homenagem, é uma escultura em bronze que representa ela, uma estátua dela, vestida inclusive com uma das roupas que ela usou em 1964, a obra é da artista plástica Christina Motta, a inauguração foi em novembro de 1999, é um dos pontos turísticos e fica na Orla Bardot, uma outra homenagem mais que merecida


Orla Bardot

Rua das Pedras
Rua super charmosa com lojas e restaurantes

Ela nunca mais voltou, mas escreveu uma carta em 2014

Com vocês deixo um trecho da carta e o rosto de uma estrela de cinema, mas que era e sempre será uma menina, sem maquiagem e linda, como os franceses chamam, Au Naturel, como a natureza, sem retoques, somente a paz estampada no rosto

“Ali descobri o verdadeiro Brasil e a verdadeira paz. Guardo preciosamente a lembrança inesquecível de um pequeno paraíso onde eu corria descalça, acompanhada de um gato que eu chamava de Moumoume, maravilhada com os beija-flores, com os flamboyants, as buganvílias, a cor translúcida de um mar cheio de espuma e brilhante que me parecia um champanha azul e com o qual eu me embriagava”.








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