Faleceu há mais de um mês, o que fica para mim não é nem o visual, o que fica na minha lembrança dos meus 5 anos, quando comecei a assistir ao Chacrinha, é a voz aveludada, doce que ela tinha, como ela o chamava, o “painho” e o hino do Corinthians quando a câmera a focava.
Elke Maravilha, nascida Elke Georgievna Grunnupp, em 1945, na cidade de Leningrado, filha de pai russo e mãe alemã, foram perseguidos pelo regime comunista de Stalin e fugiram para o Brasil em 1951, foram morar na terra de Carlos Drummond de Andrade, Itabira do mato de Dentro-MG, depois foram para Jaguaraçu.

Uma criança com um  sorriso dessa magnitude, não teria como ser diferente. Com a mãe, foto mais linda, que tez e lindos cabelos dourados, eslavos.

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Fotinho de primeira comunhão, aos 9 anos e na adolescência, já mostrava a alegria que vinha de dentro, feliz por natureza.

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O primeiro trabalho foi como professora, foi a mais jovem professora de francês da Aliança Francesa e de inglês na União Cultural Brasil – Estados Unidos. Foi tradutora e intérprete por falar 9 idiomas: Russo, alemão, grego, latim, italiano, francês, espanhol, inglês e português. Foi secretária trilíngue e bibliotecária.

Aos 24 anos começou a carreira de modelo e manequim com Guilherme Guimarães e trabalhou com vários estilistas.
Fazer a linha normalzinha para ela era como fantasiar-se, apesar de saber fazer muito bem um penteado tranquilo e uma maquiagem leve, inclusive ficava linda. Fotos do começo da carreira :

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Aos poucos foi mostrando a “Maravilha”, o estilo extravagante, chamativo, sem cair no burlesco, com muitos acessórios exóticos, maquiagem original, o bacana foi que os estilistas passaram a entender o “barato” dela.
Ela era eslava dos pés a cabeça, pele de porcelana, era alta, 1m77  e na mesma intensidade uma mulher doce, não tinha quem não se encantasse por ela, de crianças aos travestis. Nos tempos da Zuzu Angel,os primeiros sinais do excêntrico que viria, Elke com a roupa da coleção de protesto político da Zuzu Angel :

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Em 1972 conheceu Chacrinha,ela recebeu o convite,mas como não via televisão,não sabia do que se tratava,explicaram que era um programa de auditório e que o apresentador tocava uma buzina o tempo todo,o que ela fez ? Aceitou o convite,comprou uma buzina e entrou no programa buzinando,com a atitude ganhou um painho até a morte,esta hora já se encontraram no céu. Pelas fotos, vê-se que ela não era clone de ninguém, era autêntica, ela mesma se maquiava, o detalhe de passar uma linha de sombra nas linhas da sobrancelha até o começo das maças do rosto, o delineador gatinho e os cabelos todo repartido e divididos em várias pequenas tranças, presos em um coque.

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Com o Silvinho, que era o cabeleireiro das estrelas nos anos 70, era o mais importante  Hair Stylist dos anos 70, influenciou com o seu trabalho o mundo pop brasileiro dos anos 60,70 e 80, ele faleceu em 1989, foi o cabeleireiro das estrelas, todos falam nele até hoje, quem viveu a época lembra das camisetas de um ombro só em oncinha, hoje conhecida como animal print, ele não depilava o peito e nem braços, isto o deixava mais autêntico. Outra foto mais recente, antes dela falecer, com anel no polegar e esmalte metálico.

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Ela mesma fazia suas bijoux e adereços, ela criava tudo para ela, inclusive um colar que  começou a fazer há 30 anos e disse que só terminaria quando morresse, o colar pesadão com penduricalhos que eram objetos que fizeram parte da vida toda dela, como a pá de bolo que foi da mãe. Ela gostava de roupas pesadas e com movimentos, os esmaltes muito coloridos, como o azul.

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Filme Zuzu Angel de 2006 com Luana Piovani, Elke não nasceu para envelhecer, ela entrava no astral bom da coisa. Na outra foto, ela ” fantasiada “, como ela dizia, de “gente comum”, ela foi uma adolescente que nunca quis ser igual a ninguém, que é o que acontece de querer usar a roupa da moda, o cabelo da moda, o batom da moda. Ela nunca foi como as outras meninas. Ela dizia : “Sou velha sim, Ultrapassada Nunca !”

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Visual super psicodélico, olho e logo penso na música : “Olhe bem, preste atenção, nada na mão, nesta também, nós temos mágicas para fazer. Assim é a vida, olhe pra ver … ”

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